abril 2008

Monthly Archive

Niède Guidon: orgulho de todos os brasileiros!

Posted by Regina Volpato on 29 abr 2008 | Tagged as: Corrente do Bem

Carta de uma arqueóloga do presente

Carta de Niéde Guidon, a arqueóloga que, com suas descobertas no Piauí, revolucionou as teorias sobre a ocupação da América pelo homem primitivo, comprovando a presença de humanos em período anterior ao suposto povoamento das Américas através do estreito de Bhering e conseqüente povoamento das Américas a partir do norte.

Caro colega do futuro,

Você está quase no final de um século que vi nascer. No exercício de minha profissão, encontrei indícios, vestígios, e propus hipóteses sobre como vivia o Homem do passado, como usava suas ferramentas, como preparava suas armas.

Meu caro colega, mesmo não sabendo como você é – talvez uma máquina inteligente -, escrevo-lhe como se estivesse dirigindo-me a um Homem. E escrevo-lhe com a emoção de um Homem. Um Homem desse início de século que nos abriga. Caso encontre dificuldade em entender-me, tenho certeza de que poderá recorrer a sofisticados dicionários, a sofisticados programas para computador, que lhe permitirão descobrir o sentido exato das minhas palavras.

No início, todos os Homens viviam como caçadores-coletores. Para adquirir conhecimento e conviver com as outras espécies da natureza, para sobreviver com os parcos recursos biológicos que tinham, esses Homens necessitavam de grande coesão social. O saber era passado dos adultos para os jovens, igualmente. Sabiam que não podiam ter proles numerosas porque, ao contrário dos outros animais, o filhote humano levava anos para aprender e ser capaz de sobreviver só. Todos executavam todas as tarefas, todos eram iguais. Os chefes comandavam com base em sua força física, que, como todos os recursos biológicos, nasce, atinge seu apogeu e definha. Assim, um chefe exercia seu poder durante um tempo limitado, até que um outro membro da tribo, mais jovem, mais forte, o suplantava.

Os Homens temiam a natureza, reconheciam seu poder, um poder que, para eles, emanava de entidades sobrenaturais. E essas entidades sobrenaturais comandavam as águas, os ventos, o fogo, os astros. Seres que viviam por sua conta e cuja passagem pela vida dos Homens era eventual. Os espíritos!

Em um momento dado de nossa história, alguém imaginou como fazer para garantir um poder mais duradouro, que não dependesse unicamente dos recursos biológicos. Como a morte é um fenômeno que assusta a todos os animais, esse alguém imaginou uma história que tratava do além, da existência de seres sobrenaturais, da boa vontade dos quais dependeria a vida e o destino pós-morte de todos os Homens. Os Deuses!

Nesse momento começaram a se diferenciar os Homens. Aqueles que somente sabiam conviver com a natureza, que dependiam de sua força para sobreviver, e aqueles que tratavam com os deuses: os sacerdotes. Os últimos, constituíam uma casta privilegiada, com poder assegurado. Com o poder assegurado, não tinham mais que enfrentar a vida difícil do dia-a-dia, pois recebiam dádivas daqueles que não tinham o poder de tratar com as divindades.

Mas como os Deuses eram muitos, havia a possibilidade de tratar com seus intermediários, e o poder se diluía. Como concentrá-lo, então? Como colocar mais elementos de uma família, de um clã, no exercício do poder?

Novamente um gênio inventou outra forma de poder. Os Deuses escolhiam e davam a um homem o poder para que ele fosse o chefe de todo seu grupo. E esse privilégio passava de pai a filho. Nasceram, assim, as dinastias. O poder concentrava-se cada vez mais.

As sociedades começaram a crescer além dos limites permitidos pela natureza, pois, para que alguns pudessem viver sem fazer nada, além de falar com os Deuses e dar ordens a seus súditos, para que pudessem viver em palácios, mergulhados em rendas e comendo iguarias, deveriam existir milhões de escravos, trabalhando para ter direito ao pão, à água e à procriação, engendrando muitos futuros escravos. Templos, túmulos monumentais e palácios, sempre exigiram multidões de escravos para serem construídos e mantidos.

Com o aparecimento da escrita, das castas, o saber ficou concentrado naqueles que dominavam. Não era mais todos ensinando a todos. Assim, começaram a aparecer as classes cultivadas e os ignorantes. Sempre poucos letrados para muitos ignaros.

Acima, temos apenas parte da carta escrita pela Dra. Niède Guidon. A carta completa pode ser lida AQUI!

***

CONHEÇA UM POUCO SOBRE ESSA GUERREIRA,
ORGULHO DE TODOS OS BRASILEIROS:

  

Ainda não perdi a capacidade de me indignar

Posted by Regina Volpato on 25 abr 2008 | Tagged as: Corrente do Bem


Faz algum tempo que venho ensaiando escrever um texto, mas está muito difícil.
Não sei bem o porquê.
Ando profundamente triste com os fatos que passaram a fazer parte do nosso cotidiano. Não é mau humor. Nem irritação. É aquele sentimento mais profundo, que está sempre ali, nos acompanhando, mesmo quando estamos às gargalhadas. É tristeza mesmo.
Fico um pouco constrangida quando leio alguns comentário no blog, de pessoas que nutrem esperanças e certezas de que ainda veremos valores morais e éticos pautarem nossas vidas. O constrangimento vem porque não sei mais até onde eu creio nisso tudo.
Mesmo sem esperança e triste, resolvi escrever porque tenho certo desprezo por quem pode fazer algo e nada faz. Como cidadã e jornalista, me sinto no dever de tentar fazer a minha parte. E, felizmente, ainda não perdi a capacidade de me indignar.
Em nome do emprego, da reputação, da boa educação, ou do politicamente correto, o que mais vejo é gente omissa. Seja por se recusar a ter opinião, ou pela opção em preservar o que para ela (e só para ela!) é valioso. O mais engraçado é que os francos, honestos, contundentes, com discernimento e coragem são apontados, desprezados e, muitas vezes, ridicularizados, como se estivessem errados.
Meu Deus do céu! Onde estamos?
Para viver em grupo tenho agora que fingir que não vejo?
Que não penso?
Ou preciso andar acompanhada de advogados para saber até onde posso me comprometer se disser algo?
O texto da Dra. Lucia Maria Paleari, Das mentes flexibilizadas (Ponto de bifurcação) , publicado neste blog em 23 de novembro de 2007, talvez explique melhor o que estou querendo dizer. Leiam, ou releiam. É excelente.

Impossível não acompanhar o Caso Isabella, por exemplo.
Não vou entrar no mérito de quem são os culpados ou não. Tenho certeza de que cada um tem sua opinião. Também estou segura de que o direito a um sono tranqüilo fica para quem pode e não para quem quer. O que observo é que essa história desperta muitos sentimentos ruins… Vontade de vingança. Revolta. Animosidades. Agressividade. Perversidade. Talvez sejam estes os grandes males que estas pessoas estejam nos fazendo.
Continuamos todos perplexos.
Nosso lado mais cruel vem à tona a cada novo flash na TV.
Um aspecto curioso, a meu ver, é que desde o dia em que o nosso governante maior disse que não sabia de nada, parece que a moda pegou… E veio para ficar. E está sendo usada por todos, em qualquer circunstância. Isso me faz lembrar uma poesia, também publicada aqui no blog: A implosão da mentira , escrita por Affonso Romano de Sant’Anna. Sugiro que leiam a poesia também.

Como disse, ainda não perdi a capacidade de me indignar.
Ainda acredito que possa dar alguma contribuição.
Mas me pergunto: vale a pena? Será? Será que vale a pena?

Quando me sinto assim, triste, confusa, procuro refúgio nas artes em geral. Ouço música. Cuido das minhas plantas. Assisto filmes. Recentemente assisti alguns filmes sensacionais que estão me ajudando muito nesse momento. À espera de um milagre, este foi presente de uma amiga aqui do blog. O filme aborda um pouco esta questão de como enfrentamos os desafios da vida, o que vamos priorizar: o emprego ou nossa consciência, por exemplo, e da dificuldade de suportar as crueldades do mundo.
Os outros dois foram Elza y Fred e Conversando com mamãe. Grandes lições de vida. A atriz principal desses dois últimos filmes, China Zorrilla , é encantadora! Ela me emociona muito.

Calada aqui no meu canto, pensando em tudo que temos vivido nesses últimos dias e me lembrando das maravilhosas lições que vi nesses filmes, sorrio timidamente diante da beleza e da magia que é a vida, e tenho de dizer: sim, vale a pena! Porque, afinal, a vida insiste em pulsar mais forte.

Where Is The Love? – Black Eyed Peas

Posted by Regina Volpato on 21 abr 2008 | Tagged as: Corrente do Bem

LETRAS:

PORTUGUÊS

INGLÊS

“Não aguento mais as festas do meu vizinho”

Posted by Regina Volpato on 18 abr 2008 | Tagged as: Corrente do Bem

Rolando Boldrin declama Cleide Canton

Posted by Regina Volpato on 15 abr 2008 | Tagged as: Corrente do Bem

Conheça:
Fundação Casa de Rui Barbosa

“Por que você só se relaciona com mulheres?”

Posted by Regina Volpato on 10 abr 2008 | Tagged as: Corrente do Bem


Isabella

Posted by Regina Volpato on 05 abr 2008 | Tagged as: Corrente do Bem

Isabella de Oliveira Nardoni

O clima de festa, as comemorações e celebrações desta semana dividiram espaço no meu coração com um fato trágico ocorrido com outra garotinha, de 5 aninhos de vida. A menina Isabella que morreu após cair ou ser jogada da janela do apartamento do pai dela, na zona Norte da cidade de São Paulo.

Confesso que não conheço os detalhes. Tenho evitado, propositadamente, acompanhar de perto o desenrolar dos fatos. Ouço uma notícia aqui, leio outra coisa ali… mas sinto um aperto no peito… Meu lado perverso, doentio, maldoso cria fantasias horríveis do que poderia ter acontecido antes que ela fosse socorrida. Estou com medo da divulgação dos boletins da perícia. Com muito medo da verdade. Mas seja lá o que for, o que justifica cometer algum mal contra uma criança de 5 anos?

Não estou falando de uma bronca exagerada, de um grito fora de hora ou um castigo duro demais. Tudo isso pode ocorrer e, muitas vezes, ocorre quando nos dedicamos a educar com amor. Mas não parece ter sido isso o que aconteceu. Manchas de sangue. Gritos. Tela de proteção da janela cortada. Que medo! Que horror!

Eu me recordo do episódio da Escolinha Base.

A imprensa julgou e condenou os donos da escola antes de qualquer averiguação séria. Quase houve linchamento físico. O moral aconteceu.

Apurados os fatos, a verdade veio `a tona. Descobriu-se que os donos eram, na verdade, vítimas de uma história mal contada. Foi um marco no Jornalismo e hoje serve de referência para nós, profissionais da área. Pelo que tenho acompanhado, no caso da garotinha Isabella, a imprensa tem sido bastante cautelosa, atenta e responsável.

Rezo pela família. Pelas crianças desta família.

Rezo por todos nós.

Vejo uma sociedade doente.

Vejo crianças que arrastam outras crianças até a morte.

Crianças que ateiam fogo em ônibus.

Adultos que agridem e matam crianças.

Socorro!

***

Não poderia deixar de agradecer a enorme manifestação de carinho de todos vocês.

Pretendo responder a alguns comentários.

Mas não hoje. Em memória da Isabella, retomarei o ritmo festivo outro dia.

Adelidia Chiarelli: cai

Posted by Regina Volpato on 05 abr 2008 | Tagged as: Corrente do Bem

Adelidia Chiarelli cai JPG

Minha menininha querida

Posted by Regina Volpato on 02 abr 2008 | Tagged as: Corrente do Bem

Na sexta-feira, 28 de março, gravei o milésimo programa Casos de Família, que irá ao ar amanhã, dia 03 de abril de 2008.
Mil programas!
Mil temas diferentes.
Mil encerramentos.
Não sei quantos mil convidados. Mais de cinco mil, com toda certeza.
Milhões de emoções.

Eu estava muito ansiosa antes da gravação. Acho que todos nós estávamos.
A produção caprichou. Fez muitas surpresas, colheu depoimentos dos meus colegas, da minha família. Relembramos pessoas que marcaram nossa história.
Logo no início levei um choque. Foi quando entrei no estúdio e vi a platéia, que me inundou, com seus olhares carinhosos. Ex-colegas do programa estavam lá, assim como muitos daqueles que sempre estão ali comigo, me dando força, me incentivando com a presença. Anônimos para muita gente mas, para mim, grandes e carinhosos amigos. Minha relação com a platéia sempre foi muito especial. Quando comecei a fazer o programa, o que mais me metia medo era ter de enfrentar a platéia. Eu os ouvia chegando, as vozes, risadas, murmurinhos e ficava trêmula. Mas foi justamente a platéia quem primeiro me acolheu. A primeira vez que alguém elogiou meu trabalho foi uma senhora da platéia, durante a gravação de um programa. Lembro direitinho da roupa que eu usava: uma camisa rosa, com umas aplicações de flores do mesmo tecido. Naquela época ainda usava o cabelo avermelhado. (Sei lá porque, mas todas as vezes que mudei de emprego na TV a primeira coisa que me pediram foi para que mudasse a cor ou o corte do cabelo. Eu sempre mudei. Isso nunca foi problema pra mim. Com o tempo, vou voltando a usar como eu gosto. No SBT me pediram para ser meio ruiva. Acaju.) Bom, mas já quase no final do programa, uma senhora de cabelos bem branquinhos posicionou-se para fazer pergunta. De repente ela disse: “ Eu não quero fazer pergunta; quero dizer que nós te adoramos, Regina.” Eu não esperava. De jeito nenhum. Nos abraçamos de uma maneira tão gostosa! Mal sabia aquela senhora em que boa hora havia surgido… Ela já voltou algumas vezes. E é sempre uma alegria revê-la. Tenho boa memória, mas o nome dela não há meio de eu guardar. Não me sai da cabeça seu sorriso, sua voz, seu cabelinho ralinho… da última vez ela estava com eles na cor castanho. Mas ainda prefiro quando estão branquinhos.
Algumas pessoas vão sempre ao programa. E falam um pouco de si. Não sei se sabem, mas guardo o que dizem, e sei um pouco da vida delas. Por exemplo, tem uma senhora que já foi amante. Outra que é muito amiga das noras. Há um senhor que só faz o jantar depois que o programa acaba. Por isso ele prefere quando o programa vai ao ar mais cedo. Senão a família só janta depois das sete. Tem uma linda, com uma risada deliciosa. Há as amigas, que sempre sentam juntas. Outras até já participaram como convidadas.
Voltando a gravação do programa mil…
Passado o choque inicial, retomei o fôlego, o profissionalismo e começamos a gravar.
Estava torcendo pelos meus colegas que seriam entrevistados. Mas sabia que tudo correria bem. E assim foi.
Mas ouvir os depoimentos a meu respeito me desequilibrou. Pessoas que eu tanto admiro falaram coisas tão lindas a meu respeito. Foi de dar nó na garganta. Fiquei muito encabulada. Assustadíssima. E, nessa hora, mais uma vez, tive aquela sensação de sair de mim. Não era mais eu quem estava ali. Parecia que estava assistindo outra pessoa passar por tudo aquilo. Meus colegas da emissora foram de uma gentileza ímpar. Cada vez que eu os ouvia dizer meu nome, um calafrio. Uma vontade de estar sozinha, num cantinho, quietinha para poder curtir à vontade.
Aí… veio o golpe final: minha família dando os parabéns pelos mil programas. Pra começo de conversa, eles me chamam de Regina Paula. E ouvi-los falando meu nome assim me remeteu a tantas coisas… mas tantas coisas… Meu pai dizendo: “Regina Paula, você é uma menina de ouro!”, causou um impacto na minha alma difícil de explicar. Finalmente o Fernando, que repetiu as maravilhas que ele não perde a oportunidade de me dizer. E que adoro ouvir, todas as vezes. Cada vez mais.
Fiquei dura. Segurei toda a vontade de explodir. Não me deixei inundar. Encerrei o programa.
Assim como acontece desde o primeiro, não tenho a menor idéia se fui bem, ou não. Se encerrei de maneira satisfatória, ou não. Durante muito tempo, após os encerramentos, eu perguntava para a primeira pessoa que encontrava a caminho do camarim: “Fui bem? Deu para entender o que falei? Fez sentido tudo o que eu disse?”. Mil programas depois, e continuo do mesmo jeito. Achando que deveria ter feito diferente. Ter chorado, entregado os pontos, deixado a emoção me invadir. Fico me culpando por achar que não consegui satisfazer a expectativa das pessoas envolvidas.
Saí do estúdio. Segui para o camarim. Pedi um café para a Betânia, amiga e amada camareira. Fiquei só.
De repente, senti que a menininha de Rio Preto, complexada, insegura, mas cheia de sonhos, com medo de ser inadequada, feinha, chatinha foi se aproximando devagar da mulher, que hoje é apresentadora de TV. A menininha saiu da espreita. E encontrou a mulher de braços abertos, que a apertou contra o peito e a cobriu de beijos.
Algumas poucas, doces, lentas e suaves lágrimas finalmente escorreram pelo meu rosto. Nesse momento consegui celebrar.
Mil programas.
Quem diria, minha menininha querida… Quem diria, Regina Paula…

O programa nº 1000 vai ao ar…

Posted by Regina Volpato on 01 abr 2008 | Tagged as: Corrente do Bem

…no dia 03 de abril, quinta-feira.

Viva o

Casos de Família!!!!!

Vivaaaaaaaaaaa!!!!!!!

Vivaaaaaaaaaaa