Isabella de Oliveira Nardoni

O clima de festa, as comemorações e celebrações desta semana dividiram espaço no meu coração com um fato trágico ocorrido com outra garotinha, de 5 aninhos de vida. A menina Isabella que morreu após cair ou ser jogada da janela do apartamento do pai dela, na zona Norte da cidade de São Paulo.

Confesso que não conheço os detalhes. Tenho evitado, propositadamente, acompanhar de perto o desenrolar dos fatos. Ouço uma notícia aqui, leio outra coisa ali… mas sinto um aperto no peito… Meu lado perverso, doentio, maldoso cria fantasias horríveis do que poderia ter acontecido antes que ela fosse socorrida. Estou com medo da divulgação dos boletins da perícia. Com muito medo da verdade. Mas seja lá o que for, o que justifica cometer algum mal contra uma criança de 5 anos?

Não estou falando de uma bronca exagerada, de um grito fora de hora ou um castigo duro demais. Tudo isso pode ocorrer e, muitas vezes, ocorre quando nos dedicamos a educar com amor. Mas não parece ter sido isso o que aconteceu. Manchas de sangue. Gritos. Tela de proteção da janela cortada. Que medo! Que horror!

Eu me recordo do episódio da Escolinha Base.

A imprensa julgou e condenou os donos da escola antes de qualquer averiguação séria. Quase houve linchamento físico. O moral aconteceu.

Apurados os fatos, a verdade veio `a tona. Descobriu-se que os donos eram, na verdade, vítimas de uma história mal contada. Foi um marco no Jornalismo e hoje serve de referência para nós, profissionais da área. Pelo que tenho acompanhado, no caso da garotinha Isabella, a imprensa tem sido bastante cautelosa, atenta e responsável.

Rezo pela família. Pelas crianças desta família.

Rezo por todos nós.

Vejo uma sociedade doente.

Vejo crianças que arrastam outras crianças até a morte.

Crianças que ateiam fogo em ônibus.

Adultos que agridem e matam crianças.

Socorro!

***

Não poderia deixar de agradecer a enorme manifestação de carinho de todos vocês.

Pretendo responder a alguns comentários.

Mas não hoje. Em memória da Isabella, retomarei o ritmo festivo outro dia.