Como pode? Como podem?

Sempre que possível, me dou uma tarde de presente. Leio bastante, arrumo gavetas e passo longos momentos ouvindo os sons da tarde. Calada, absorta, fico olhando o céu. Breve retenção da respiração do dia. Compasso de espera, entre as expectativas próprias do começo, das manhãs, e o que poderá acontecer quando a noite chegar. Nesses momentos, volto no tempo. Os mesmos sons de quando freqüentava a escola no período vespertino, no curso primário. Depois, quando passei para a turma da manhã, eram esses sons que me acompanhavam quando ia , a pé, às aulas de piano, de educação física ou, então, quando fazia as tarefas escolares, sobre a mesa da cozinha. Quando menina, certa vez, ouvi uma moça dizer: “Não sei o que quero, mas sei que vou conseguir.” Achei tão engraçado. Talvez hoje eu dissesse: “Sei o que quero, mas não sei se vou conseguir.”

A dúvida, no entanto, não me consome. Não me entristece. O sabor, a beleza, está em percorrer o caminho. Sem pressa. Sem ansiedade. Sem expectativa de onde e quando chegar. Ouvir os sons das tardes me aproxima destas sensações que, uma dia, imaginei ter perdido.

A tecnologia mudou muito os nossos hábitos. Mudou as nossas necessidades, a nossa visão de mundo. Quando eu era pequena, pensar no tamanho da Terra ou, como dizíamos, nesse “mundão de meu Deus”, era tentar imaginar algo descomunal, infinitamente grande, que parecia até não caber dentro dos nossos pensamentos. Hoje a Terra cabe na tela de um computador. E só. Acabou. Não tem mais nada.

E o Japão? Esse era o lugar mais longínquo citado nas nossas brincadeiras. Agora, é logo ali. Às vezes, a gente fantasiava, tentando adivinhar o que as pessoas no Japão estariam fazendo naquele exato minuto. O computador me deu a chance de constatar que pessoas do Japão e daqui, do Brasil, muitas vezes, fazem a mesma coisa, ao mesmo tempo. É uma bandeirinha verde e amarela aqui, outra bandeirinha branca com um círculo vermelho no centro, lá. É tudo muito estranho… É tudo muito mágico…

Se sou uma pessoa contemplativa? Sou. Sempre que posso, sou, sim. E gostaria de ser bem mais. Adoro também olhar o céu estrelado. Mas sei que tem gente que nunca olha para o céu, acreditando ser perda de tempo. Perda de tempo? Será? Acredito que não seja perda de tempo. Ver a beleza de uma estrela cadente, ver a beleza da Lua, a beleza da dança das nuvens… Quão pequenos somos nós …

Contemplar o céu me aproxima de mim mesma, me aproxima do que tenho de melhor dentro de mim.

Nesses últimos tempos, tenho me encantado com o link que nos direciona para o site da NASA, que foi colocado aqui no blog. Logo ali, do lado direito. Imagens que me enchem de espanto, e dúvidas também. Esse “mundão de meu Deus” se mostra agora muito maior do que sequer conseguimos imaginar. Como somos minúsculos diante de tanta grandeza… Com esse mistério todo, com essa maravilha toda e o ser humano pensando em guerrear, devastar, roubar, corromper, ludibriar, assassinar, torturar… Como pode? Como podem?

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Essas reflexões me fizeram lembrar de um filme que gosto muito e quero, agora, compartilhar com vocês. Nós Estamos Aqui: O Pálido Ponto Azul, narrado pelo astrônomo Carl Sagan. Para mim um filme emocionante. Um filme que nos dá a dimensão exata do nada que somos nós. Um filme que todos deveriam assistir e meditar sobre ele.



Na pasta MA-RA-VI-LHAS! vocês encontrarão mais um pouco da vasta e belíssima obra de Carl Sagan.

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Senador Jefferson P  res

Lamento profundamente a morte do senador Jefferson Péres,
ocorrida hoje, 23 de maio de 2008, em Manaus (AM).
Seguramente uma grande perda para todos nós.

Foto original: Agência Brasil