novembro 2008
Monthly Archive
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Posted by Regina Volpato on 29 nov 2008 | Tagged as: Corrente do Bem
Posted by Regina Volpato on 25 nov 2008 | Tagged as: Corrente do Bem
Posted by Regina Volpato on 19 nov 2008 | Tagged as: Corrente do Bem
Aprendi a fazer pão com as italianas da minha família. Observá-las era bem divertido, especialmente no momento de sovar a massa. Nós crianças ríamos muito, imitávamos e algumas vezes nos deixavam mexer na mistura crua. Tudo com muita parcimônia para evitar desperdício. Muito cedo aprendi a ter respeito com o alimento. Principalmente com o pão nosso de cada dia!
Até hoje o ato de fazer pão me remete a esta festança na cozinha, mesmo que eu esteja sozinha. Parece que de algum canto elas, as italianas, estão a me observar, me orientando orgulhosas.
Fazia tempo que eu não fazia pão. Ontem, eu fiz.
Sem batedeira elétrica, sem qualquer outro tipo de artifício, apenas com as minhas mãos, repetindo o ritual milenar. Hoje é minha filha quem se diverte me assistindo na cozinha. E, exatamente como eu e as outras crianças, ela sempre pede para pôr a mão na massa.
Aproveitei umas sobrinhas de abóbora que estavam na geladeira, acrescentei gergelim, um pouco de linhaça e pronto. O jantar foi enriquecido com o pão quentinho, recém-saído do forno. Mais caseiro impossível!
Nem vi o tempo passar. Na realidade, quando estou numa cozinha, não vejo o tempo passar. Eu adoro uma cozinha. Na cozinha sinto-me à vontade. Pronta para um bate-papo. Adoro os aromas, as cores, os cheiros, a fumacinha saindo das panelas. Isso tudo tem a ver com alquimia…
Enquanto cozinho, fico muito concentrada acompanhando e respeitando os tempos de cozimento dos alimentos, que são diferentes. Uns guardam mais sabor quando são preparados rapidamente; outros necessitam de horas no fogo, o que inunda a casa com aquele cheirinho que atrai todo mundo para a beira do fogão.
Acho muito gostosa a movimentação entre fogão, pia, geladeira. É uma bela coreografia. Mexer a comida na panela. Provar. Sentir o gosto. Esperar o sabor espalhar-se pela boca. Decidir se carece de mais uma pitada de algum tempero.
Nada mais feminino do que se ocupar do nutrir. E, como todas as coisas do feminino não estão sendo lá muito valorizadas nos últimos tempos, preocupar-se com a alimentação parece bem fora de moda. Ocupar-se do nutrir, então… pode até soar meio esquisito.
Aqui preciso fazer um parêntesis, para que fique bem explicado o que entendo quando digo “feminino”. Não quero dizer, a rigor, mulher. Refiro-me a acolhimento, ternura, cuidado, capricho, paciência, sensibilidade. Sensações que podem (e devem!) ser experimentadas por homens e mulheres. Noto que quando nos dispomos a cozinhar, muitas vezes somos mobilizados por estas sensações. Traduzo “ocupar-se do nutrir” como ocupar-se do alimento primordial, alimento que nutre o espírito, a alma. Por outro lado, uma atitude masculina (igualmente presente em homens e mulheres) é aquela focada, objetiva, bem explicada, regrada, estratégica, calculada. Na cozinha é necessário um certo despojamento. Como explicar objetivamente, por exemplo, uma “calda em ponto de fio”? Ou então, como estabelecer o tempo exato de espera para que a massa do pão cresça ? Impossível. E é aí que entram as características do “reino do feminino”: observar, esperar, arriscar…
Digo cozinhar mesmo. Não ligar o microondas.
E não vamos confundir “pensar em alimentação” com procurar produtos de baixas calorias. Noto que estamos cada vez mais consumindo produtos alimentícios, e menos alimentos.
Alimentos são aqueles encontrados na natureza, aqueles que estão nas feiras, que não precisam de embalagem, que não duram meses. Precisam ser lavados, descascados, manuseados com delicadeza, têm cheiro de terra, têm cheiro de infância. Não contêm conservantes. Nem corantes. Sem a maquiagem de produtos que realçam cor, sabor ou o que quer que seja. Não são uniformes. Pelo contrário, bem desiguais em tamanho, forma, cor, cheiro. Quem consegue um maracujá idêntico ao outro?
Cozinhar, para alguns é sinônimo de submissão. Para mim é exatamente o oposto. Poder fazer minha comida é sinônimo de liberdade, independência e auto-suficiência. Escolher o que eu quero comer, com o sabor dos temperos que mais me agradam, sem ter que pedir ou pagar por isso é sensacional. E liberdade, independência e auto-suficiência foram grandes incentivos ao meu aprendizado da arte culinária, diga-se de passagem.
Já cozinhei mais. E melhor.
Hoje em dia me ocupo das refeições dos domingos.
Almoço de domingo, principalmente para quem é caipira e descendente de italianos, é também um ritual.
Mas voltarei a este tema em outra ocasião.
Pense um pouco e veja como tem sido sua alimentação. Hoje, o que você comeu? Quantas embalagens você abriu? Do que foi ingerido, o que foi comprado diretamente na horta ou na feira? O que, de verdade, pode ser chamado de alimento?
Sei que nos colocaram, e nos colocamos, num tipo de esquema que quase não nos permite um cuidado real com tudo o que de mais importante para nossa saúde, física e emocional, se realize. Mesmo assim, temos de encarar a nossa alimentação com outro olhar. E isso se faz urgente. Precisamos voltar a comer direito, como entendiam nossos antepassados.
Ontem, ao retirar o pão do forno, notei que a antiga receita, herdada da minha família, tinha sido atualizada por mim. Misturar gergelim, restinhos de abóbora e linhaça foi por conta da minha criatividade audaciosa. E, olha, modéstia à parte, ficou uma delícia!
Posted by Regina Volpato on 13 nov 2008 | Tagged as: Corrente do Bem
Posted by Regina Volpato on 06 nov 2008 | Tagged as: Corrente do Bem
Hoje levantei com um firme propósito: escrever sobre o aniversário de um ano do blog.
Liguei o computador, escrevi algumas palavras, parei e percebi que algo estava me travando. Não entendia direito o que era. Só após algum tempo, percebi o óbvio. Tinha sido tomada por uma profunda emoção. Não sei muito bem comemorar vitórias, mas estou aprendendo.
Nessas horas, poder se expressar através da arte ajuda imensamente. Ainda bem que existe o piano na minha vida. Com ele, vou para outra dimensão. É como respirar muito ar puro. Hoje, minhas mãos dedilhavam sobre o teclado, mas o meu pensamento continuava aqui, nessa experiência fantástica que graças a vocês estou tendo a oportunidade de viver. Os encontros e desencontros que aconteceram; a imensa surpresa que foi a grande acolhida desta iniciativa; as discussões entre mim e a Adelidia que precedem a cada publicação.
Deixei o piano com seus acordes pungentes e voltei ao computador. Travada ainda, resolvi “lamber a cria”: reler posts antigos, comentários… Aos poucos, fui me descontraindo, senti que as palavras começavam a fluir, e a alegria foi tomando posse de mim. Alegria e orgulho de estar comemorando um ano de blog. Não foi fácil, vocês sabem. Foi preciso muita raça para começar e continuar. Noites sem dormir, apreensiva, apavorada. Mas algo dentro de mim dizia que eu precisava seguir em frente. E segui.
Já contei aqui que, quando surgiu a idéia de me comunicar com vocês através da internet, estava profundamente insatisfeita, beirando a uma depressão. Repito isso, agora, porque acho importante lembrar que são nestes momentos, em que estamos introspectivos, mergulhados em nós mesmos, que existe a possibilidade de nos conhecermos um pouco mais. De conversarmos conosco perguntando com coragem, o que há de estranho, que incomoda e, portanto, precisa ser alterado. São nestes movimentos para dentro de nós mesmos que podemos descobrir maneiras criativas de estarmos no mundo. Do meu ponto de vista, é evidente que quem não faz estes mergulhos fica sempre na superfície. Não se conhece. Não se supera. Não se reformula. Não se reinventa. Não vive a vida em sua plenitude.
Existe uma tentativa para nos convencer a viver sempre de bom humor, de alto astral, do mesmo jeito todos os dias. Talvez os robôs sejam assim. Sei não… Pensando bem, nem internet é sempre igual. Tem dias que está mais lenta. Noutros, mais ágil. Tem site que cisma em não abrir e depois, de repente, abre… Conheço pessoas que são sempre do mesmo jeito. Como? Tomam remédio para acordar. Remédio para dormir. Pílula para ficar alegre. Cápsula para emagrecer. Quero ver se um dia, por equívoco, for ingerida a cápsula errada. Já pensaram?
E que desperdício teria sido não me lançar neste desafio.
Passaria pela vida sem saber que meu trabalho é respeitado. Sem conhecer pessoas maravilhosas que hoje fazem parte do meu dia-a-dia. Não teria dado boas risadas com os comentários. Enxergado outras opiniões. Dá um frio na barriga só em pensar o que eu teria desperdiçado.
No começo, a intenção era apenas compartilhar um pouco de conhecimento. Para que entendam melhor, quero dividir com vocês um momento da minha vida. Aconteceu quando entrei na USP. Naquela época, me senti profundamente incomodada com a minha falta de conhecimento. Meus colegas citavam autores que eu nunca tinha ouvido falar. Discutiam idéias que eu desconhecia completamente. Comentavam preferências por músicas e artes em geral que eu nem conseguia entender os títulos. Ressabiada, me perguntava de que planeta eles tinham vindo, por onde tinham passado. E eu? Onde eu tinha estado aquele tempo todo? Nunca ninguém falara nada daquilo comigo. Paguei muitos micos. Fiz papel de boba. Consegui disfarçar algumas vezes, passei vergonha outras tantas. Não sabia sequer onde buscar todo aquele conhecimento. Foi uma época terrível para mim e, a duras penas, pude constatar o quanto a falta de conhecimento empobrece as relações.
Sem a pretensão de saber demais, mas com a intenção de dividir o meu repertório, e a vontade de conhecer outros, nasceu este blog. Um espaço que talvez pudesse ser lembrado durante uma pesquisa, ou na busca por alguma referência.
Já me perguntei se algo seria mudado a partir dos temas aqui abordados, se eles ajudariam a alguém. O que eu me respondi? Pode ser que não. Pode ser que sim. Não sei…
Clarice Lispector, em 1977, na entrevista postada aqui em 14 de março deste ano , afirmou que nada seria mudado graças ao trabalho dela. Ela disse escrever para continuar viva.
Sem vergonha de plagiá-la, digo o mesmo.
Este espaço é o reflexo de uma maneira de ser. Apenas o reflexo de uma maneira de ser.
Necessito fazer minha parte. Insisto em instigar a reflexão. Não me canso de pensar, de procurar respostas, sem a menor certeza de que elas existam, ou não. Não consigo deixar de acreditar que todo ser humano tem, sim, sua porção digna. Porém, procuro cultivar a humildade de saber que esta minha maneira é apenas mais uma, pois existem incontáveis maneiras de pensar, viver e compartilhar o espaço aqui na Terra. Um Planeta, diga-se de passagem, que pertence a todos nós, embora muitos se esqueçam disso.
O que eu constato é que mais uma vez a vida me presenteia.
Acho que sou meio econômica nos meus desejos, viu? Quase tudo o que idealizo é tão menor do que realmente acontece…
Minha parceria com a Adelidia é algo que me enche de satisfação. Ela é tão presente aqui quanto eu. Extremamente paciente e generosa. Sábia. Intuitiva. Valente.
Nossos debates são sempre enriquecedores. E engraçados, também.
Minha filhotinha e meu marido, também fazem parte do blog. Eles acompanharam toda minha angústia do começo. Sempre tão compreensivos comigo…
No início, eu dava muito mais atenção ao blog do que a eles, devo admitir. Agora, acredito que consegui equilibrar um pouco melhor o meu tempo. Acredito, mas não tenho certeza. Mas é certo que eles torcem por mim e vibram com mais esta conquista. Nos amamos, e quem ama ampara, sem reservas.
Eles me amparam. Vocês me amparam. Nós todos nos amparamos.
A emoção me invade mais uma vez. Posso sentir, bem pertinho, aqui, no meu coração, a vibração do amor. Tão raro. Tão simples. Precioso. Sublime. Sem explicação. Tenho medo de falar demais porque muitas vezes as palavras empobrecem. Melhor não falar nada, não. Só sentir.
Afinal, o Universo nos conecta numa teia tênue, lindamente mágica.
Estou muito feliz, e muito agradecida, por isso.
Posted by Regina Volpato on 05 nov 2008 | Tagged as: Corrente do Bem
Posted by Regina Volpato on 03 nov 2008 | Tagged as: Corrente do Bem