Janeiro 2010
Arquivo Mensal
Arquivo Mensal
Publicado por Regina Volpato em 25 Jan 2010 | sob: Corrente do Bem
De

foto: Claudia Ahimsa
Ferreira Gullar:
Traduzir-se
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?
Publicado por Regina Volpato em 23 Jan 2010 | sob: Corrente do Bem

Publicado por Regina Volpato em 18 Jan 2010 | sob: Corrente do Bem
… “Certa vez uma criança arrebatou o melhor de mim. Eu viajava e me encontrava diante de uma encruzilhada. Vi então um menino e lhe perguntei qual seria o caminho para a cidade. Ele respondeu: ‘ Este é o caminho curto e longo e este o longo e curto.’ Tomei o curto e longo e logo me deparei com obstáculos intransponíveis de jardins e pomares. Ao retornar, reclamei: ‘Meu filho, você não me disse que era o caminho curto?’ O menino então respondeu: ‘Porém lhe disse que era longo!’ ”
Na trilha da sobrevivência, a “mesmice” muitas vezes é o caminho curto, o mais simples, e que tem os custos mais elevados (longo). Ir pelo caminho mais simples e mais curto é uma lei evolucionista. Certamente os corpos se movem na direção mais imediata e curta. Os galhos buscam a luz e o animal a água, mas sua inteligência interna, sua alma, está atenta a longas modificações. A tentativa de sobrevivência acontece nos campos de batalha do mundo curto e do mundo longo. As chances de extinção dos que percorrem caminhos curtos que são longos é muito grande. As espécies sobreviventes são aquelas que souberam fazer opções pelo longo caminho curto.
Em nosso dia-a-dia sabemos muito bem quais são os processos curtos e quais são os longos. Fazemos também nossas opções por padrões que optam pelo curto. Mas nossos mecanismos de dectar se são “curtos longos” ou “longos curtos” existem e sempre estão aí para apontar novos inícios, por exemplo, de relações de trabalho, amor ou amizade.
A coragem está em ouvir o menino das encruzilhadas. Ele, com certeza, alerta para ambas as possibilidades de caminho. Este menino das encruzilhadas é a alma. Não se assuste com as parábolas que falam de demônios dissimulados nas encruzilhadas. Os demônios das encruzilhadas querem sempre apontar os caminhos mais “curtos”. Ninguém que alerte para o fato de que os “curtos podem ser longos” e os “longos podem ser curtos” é de ordem demoníaca.
Afinal, as encruzilhadas são de grande importância. Não são meras opções de acesso, mas de sobrevivência, e o curto caminho longo pode não levar a lugar algum. Se você estiver diante de uma encruzilhada, lembre-se do menino e preste atenção para não ser seduzido, pelo corpo, por um caminho curto. Lembre-se de que a paz está primeiro com quem vem de longe.
Extraído de:
Bonder, Nilton
A alma imoral:traição e tradição através dos tempos
/ Nilton Bonder - Rio de Janeiro: Rocco: 1998. páginas 56 e 57
Publicado por Regina Volpato em 11 Jan 2010 | sob: Corrente do Bem
“Bendito quem inventou o belo truque do calendário, pois o bom da segunda-feira, do dia 1º do mês e de cada ano novo é que nos dão a impressão de que a vida não continua, mas apenas recomeça…”

Mais sobre Mario Quintata, AQUI e AQUI.
Publicado por Regina Volpato em 04 Jan 2010 | sob: Corrente do Bem
Ok, o Brasil não tem tsunami, terremoto, furacão ou nevasca. Mas tem o flagelo da seca e a tragédia das chuvas que devastam e matam. A diferença é que a seca mata de geração em geração, lentamente, dia após dia, longe das redes de TV e da grande imprensa, enquanto as chuvas matam de repente, sorrateiramente, diante das câmeras, das fotos e dos repórteres. A seca do Nordeste empurra os filhos do Brasil para o Sul maravilha. E as chuvas no Sul maravilha fazem o Brasil inteiro chorar.
A virada de 2009 para 2010 no Brasil inunda as redes mundiais de notícias e confronta as realidades dos dois Brasis: o do esplendoroso espetáculo dos fogos do Réveillon em Copacabana e o que sucumbe à lama, à falta de planejamento e à ocupação irregular de encostas.
O contraste vai para as telas e para as páginas, alternando ora pessoas de todas as idades, felizes e em festa, ora as que choram a perda de filhos, mulheres, maridos, pais, mães, amores, não raro famílias inteiras. Ou que, simplesmente, perderam suas casas e todos os seus pertences sob a força da água.
Sem emprego e sem os dentes da frente, um homem ainda jovem olha para a câmera e declara, em choque: “Perdi tudo, até o que nem acabei de pagar”. Ele teve sorte.
Há meia centena de mortos só no Rio, seja em bairros pobres, seja na paradisíaca Angra dos Reis, deixando como mártir da virada do ano a menininha Mariana, de três anos, que passou horas soterrada, foi retirada sob o uivo doído e comovente de um bombeiro e acabou morrendo no hospital.
Tragédias assim têm causas naturais, sim, mas têm também a enorme responsabilidade do poder público e o empurrão da imprevidência, da ganância ou da simples ignorância. E deixam um grito e um eco: prevenir, prevenir, prevenir. Porque, no que vem, tem mais.
PS - Onde estava Sérgio Cabral?
O candidato de fato à reeleição é o vice, Luiz Fernando Pezão?
Página fonte: Clipping Seleção de notícias
Publicado por Regina Volpato em 01 Jan 2010 | sob: Corrente do Bem
E não é que consegui?!
Estou rindo até agora. Foi muito legal! Curti a prova do começo ao fim.
Ontem, 31/12/2009, já acordei ansiosa com a corrida. Almocei no horário de sempre, nada muito pesado e `as 15:30h fomos para a avenida Paulista. Chegar lá é contagiante. As pessoas na rua andam de um lado para outro em meio aos atletas que alongam-se. Crianças procuram os que estão fantasiados, pais com bebês de colo observam. O clima é de confraternização. Eu estava animada mas com um frio na barriga…
Pouco antes da hora da largada fomos para perto do Masp. Uma multidão também estava lá conosco. Depois que a prova começou ainda esperamos mais de 15 minutos para começar a correr. Era muita gente. Nada de empurra-empurra. Nada de falta de educação. Um calorão. Já fui acompanhar o Fernando em muitas corridas de rua. E sempre me emociona esse momento: quando os corredores estão esperando para começar a prova. Estar ali é a etapa final depois de infinitos treinos, de muito esforço; a vontade de se superar paira no ar. Como espectadora acho essa hora mais tocante que a chegada.
Durante minha preparação para a São Silvestre eu ficava pensando no que poderia acontecer comigo nessa hora, na largada. E muitas vezes meus olhos ficavam marejados só de me imaginar ali, no meio da multidão, corajosa, me lançando na aventura de tentar completar a prova. Achei que eu ia chorar, que minhas pernas iam ficar bambas. Que nada!
Eu estava radiante. A ansiedade passou assim que comecei a correr. Eu estava tão feliz de estar ali! E essa sensação continuou durante os 15 km. Em todo o percurso há pessoas aplaudindo. E muitas situações hilárias! Quando estávamos no Minhocão havia uma mulher num apartamento que cantava no karaoke uma música da Madonna. Ela colocou o alto falante virado para fora e foi o som dela que embalou boa parte desse trecho. Maior balada! Na Barra Funda, um bairro residencial da cidade, famílias com cadeiras na calçada apreciavam o movimento enquanto as crianças com mangueiras (ou esguicho) nos davam um refresco, molhando quem queria. Uma delícia! Mas aí começou a ficar mais difícil. Continuou divertido, mas bem difícil. Era o meio da prova. Passamos pelo centro. Muitos bares, com mesas na calçada, churrasquinho, gente bebendo cerveja e nos oferecendo ‘uma geladinha’. Cruel. Logo depois, largo São Francisco e a temida Brigadeiro. Jizuizi, que subida interminável. Mas não parei!!!!!!! Quando entrei na Paulista, já pertinho do fim, eu não cabia em mim de felicidade. Outro momento que, na minha fantasia, ia me fazer chorar. Longe disso! Eu estava tão orgulhosa de mim, tão feliz, realizada. O Fernando não parava de me dar os parabéns. Foi muito gostoso!
A sensação de vitória é indescritível. Eu sempre quis correr a São Silvestre. Sempre admirei os que participavam dela. Mas pensava: ‘não é pra mim’. Eu achava que tinha que ser super-herói para participar da prova. E não precisa. Agora sei que não precisa. Muito esforço, determinação, coragem, concentração, força para vencer a preguiça, respeito pelos limites do corpo… tudo isso é sim essencial. Não é uma prova fácil.
Estou tão feliz! Tão orgulhosa de mim!
Muito obrigada por vocês que torceram para que eu conseguisse. Vocês, sempre comigo, não?!
Obrigada, de novo. Mais um capítulo para nossa história.
E assim, terminou para mim, o ano de 2009.
Que venha 2010. Estou pronta. Revigorada.
Confiante para os novos desafios que certamente virão.
Agora, mais ninja do que nunca!
Beijos, meus amores.